Começa nesta quinta-feira (3 de Setembro) a demolição da casa mais cara do Brasil. Ela fica no Jardim Pernambuco, no Leblon, e foi vendida por R$ 220 milhões. No lugar dela entram dez casas. A conta que explica essa troca diz mais sobre o Rio do que a demolição em si.
O que existia
Uma casa de 1986, com 2.500 metros quadrados construídos num terreno de onze mil. Seis suítes, dezoito banheiros, quinze vagas de garagem. Pertencia à família Amaral, dona da antiga rede de supermercados Disco. A construção ocupava 22,7% do terreno, e todo o resto era mata, trilha e vista para o mar, num pedaço do Leblon que quase ninguém conhece por dentro, porque o Jardim Pernambuco nunca foi lugar de se passar por acaso.
Antes das máquinas chegarem, as peças foram a leilão. Portas, luminárias, mármores, tudo o que dava para retirar de uma construção feita nos anos oitenta sem economizar. A casa foi desmontada com cuidado antes de ser derrubada. A demolição em si deve levar cerca de três meses.
O que virá
O empreendimento se chama Estância Pernambuco, é da Mozak e tem projeto do Bernardes Arquitetura, escritório de Thiago Bernardes. São dez casas, com entrega prevista para 2027. Cada lote custa R$ 23 milhões, e sete dos dez já estavam vendidos antes de a primeira parede cair. Com as casas prontas, o valor geral de vendas passa de R$ 360 milhões.
Dos onze mil metros quadrados, cerca de oito mil vão continuar sendo bosque, trilha e mirante. Sobra pouco terreno privativo para muito dinheiro, e é justamente esse o produto. Quem paga R$ 23 milhões por um lote ali não está comprando metro quadrado. Está comprando o direito de estar naquele lugar.
Vale dizer o que isso é em termos de produto, porque é fácil ler a notícia apenas como perda. Bernardes é hoje o nome mais consistente da arquitetura residencial brasileira, e não existe outro endereço equivalente disponível no Rio: beira-mar, dentro do Leblon, com mata em volta. É um lançamento para um público de talvez algumas dezenas de pessoas no país inteiro. Sete delas já decidiram.
Lei da oferta
O Leblon fechou 2025 como o metro quadrado mais caro do Brasil, a R$ 25.717, com valorização de 6,6% no ano, segundo o Índice FipeZAP. A inflação do mesmo período foi de 4,46%. Ipanema vem logo atrás, a R$ 25.302.
No recorte de luxo, o número é outro. No segundo trimestre de 2026, o metro quadrado de luxo no Rio chegou a R$ 33.431, alta de 12,2% em doze meses, segundo levantamento da consultoria Brain Inteligência Estratégica. O alto padrão ficou em R$ 24.329, com alta de 9,1%.
E aqui está o dado que fecha o raciocínio: no mesmo trimestre, os lançamentos de luxo no Rio caíram 50,3% em valor. Foram onze unidades lançadas, contra mais de oitenta um ano antes. Ao mesmo tempo, as vendas do mercado carioca cresceram 45%.
Oferta pela metade e preço subindo dois dígitos. Não é falta de comprador, é falta de terra. E quando a terra é o item escasso, onze mil metros quadrados de Leblon ocupados por uma casa só deixam de ser patrimônio e viram uma conta que não fecha. A demolição desta quinta não é a excentricidade de um comprador. É a resposta aritmética a um mercado sem estoque.
Quem quiser ver essa aritmética funcionando em tempo real tem um número melhor do que qualquer índice. Quando a compra do terreno foi anunciada, o projeto previa até oito casas, e o lote saía por R$ 19,5 milhões. Hoje são dez casas, e o lote custa R$ 23 milhões. O terreno ficou 18% mais caro, e mais dividido, sem que uma única parede tivesse sido derrubada.
A ficha do negócio
- Endereço
- Jardim Pernambuco, Leblon, Rio de Janeiro
- Terreno
- 11.000 m²
- Área construída
- 2.500 m², ocupando 22,7% do terreno
- Ano de construção
- 1986
- Configuração
- 6 suítes, 18 banheiros e 15 vagas de garagem
- Proprietária
- Família Amaral, da antiga rede de supermercados Disco
- Valor de venda
- R$ 220 milhões
- Comprador
- Mozak
- Novo empreendimento
- Estância Pernambuco
- Arquitetura
- Bernardes Arquitetura, de Thiago Bernardes
- Unidades
- 10 casas, sete já vendidas
- Preço por lote
- R$ 23 milhões
- Valor geral de vendas
- Mais de R$ 360 milhões
- Entrega prevista
- 2027
- Início da demolição
- 3 de setembro de 2026
Perguntas frequentes
Por que a casa mais cara do Brasil foi demolida?
Porque o terreno vale mais dividido do que ocupado por uma casa só. O metro quadrado de luxo no Rio subiu 12,2% em doze meses enquanto os lançamentos do segmento caíram 50,3%. Com pouca terra disponível e demanda firme, onze mil metros quadrados no Leblon rendem mais como dez lotes do que como residência única.
Quanto custa cada lote do Estância Pernambuco?
R$ 23 milhões por lote. Quando a compra do terreno foi anunciada, o projeto previa até oito casas com lotes a R$ 19,5 milhões. Sete dos dez lotes já estavam vendidos antes do início da demolição.
Quem assina o projeto que vai substituir a mansão?
O Bernardes Arquitetura, escritório de Thiago Bernardes. A incorporadora é a Mozak, e a entrega está prevista para 2027.
Quanto custa o metro quadrado no Leblon?
O Leblon fechou 2025 a R$ 25.717 por metro quadrado, o mais caro do Brasil, com valorização de 6,6% no ano, segundo o Índice FipeZAP. No recorte de imóveis de luxo do Rio, o valor chegou a R$ 33.431 no segundo trimestre de 2026.
Publicado em 3 de setembro de 2026. Fontes: Exame, BNews, Brasil em Folhas e Ancelmo Gois (O Globo) para os dados do imóvel e do empreendimento; Diário do Rio para os números do anúncio original da compra; Índice FipeZAP, via InfoMoney; consultoria Brain Inteligência Estratégica, via Portas.